Histórias da Ajudaris 2022

    Os pequenos grandes autores, sob a orientação de professores solidários, tornam-se verdadeiros autores de histórias de encantar, sobre temas como a solidariedade, os afetos, a cidadania, o ambiente, os valores, entre outros, de especial relevância. Este ano, os nossos alunos produziram textos sobre a temática da ÁGUA.


Gotinha


    Era uma vez uma gota gordinha, chamada Gotinha. Vivia no Minho, uma terra

húmida onde chovia regularmente. Aqui tinha muitas amigas com quem brincava 

e se divertia. Juntas inventavam todo o tipo diversões. Uma simples couve que 

todas rebolassem alegremente como num enorme escorrega verde.

    Apesar desta felicidade, Gotinha e suas amigas não se sentiam nada úteis.

Ouviam constantemente desabafos cá em baixo:

- Já estou farta desta chuva!

    Até que um dia, Gotinha não aguentou mais e impôs-se. Reuniu todas as suas

amigas e fizeram um protesto. Não houve chuva durante meses. As colheitas 

estavam secas. As pessoas estavam suadas e desconfortáveis com o calor. E o 

mesmo acontecia com os animais, que já não tinham onde beber. As pessoas 

queixavam-se de novo:

- Inacreditável este calor intenso!

Mas Gotinha estava farta destes queixumes:

- Não estão contentes de nenhuma forma!

Resolveu voltar a reunir as suas amigas para lhes comunicar que tinham que

partir de manhã cedo. Agora era de vez!

No céu, juntou-se a outras tantas e formaram as nuvens. O vento empurrou-as e

viajaram por muitas terras.

Passou por muitos rios e oceanos poluídos. Pararam por cima de um rio. Os

peixes estavam doentes, a água estava turva e adivinhava-se um cheiro 

desagradável. Nas margens, o lixo abundava, deixado por pessoas irresponsáveis.

Triste com o que via, ficou muito preocupada e pensou como poderia resolver

esse problema. Gotinha e as suas amigas reuniram energias positivas, tão fortes 

e tão poderosas que quando a sua nuvem ficou mais pesada, as gotas caíram em 

forma de chuva e como por magia o rio ficou limpo e cristalino.

Gotinha viveu, aí, feliz até poder subir e começar uma nova viagem.


Escola Básica e Secundária de Barroselas | Autores: 5º C


Concurso FAÇA LÁ UM POEMA - 13.ª edição

    

Aguarela



Como eu gostaria que todo o breu

Fosse preenchido de pingos brancos,

De cores que o Universo escondeu,

De sonhos, de aurora e de seus mantos.

Como eu gostaria que toda a tela

Fosse pintada de forma ligeira:

Perfeito pântano e verde selva,

Deserto e prateada cordilheira.

Como eu gostaria que a paleta

Colorisse com azul oceano

E pintasse as ondas de cor violeta.

Como eu adoro a minha aguarela!

Livre na deslumbrante eternidade

No espaço e na sua clara tela.

    No Dia Mundial da Poesia, 26 de março, decorreu no Centro Cultural de Belém (CCB) uma Maratona de Leitura onde foram lidos os poemas vencedores do Concurso FAÇA LÁ UM POEMA, momento que foi intercalado com a leitura de poemas de Helberto Hélder, por diferentes convidados. A EBS de Barroselas esteve aí representada pelo aluno Ricardo Rocha do 8ºC, um dos premiados na 13.ª edição deste concurso com o poema Aguarela 






    Com receitas criativas, aproveitando os alimentos e as sobras das refeições pode-se reduzir muito o desperdício alimentar nas nossas casas. 
    Assim, no âmbito do projeto de Educação Inclusiva e da Oficina de Artes e Sabores, os alunos Afonso e Carlos Monsanto do 6.º ano arregaçaram as mangas e aventuraram-se na criação da receita "Ovos d'Ouro", a partir do reaproveitamento de sobras alimentares. 
    Este desafio teve o objetivo de os sensibilizar para a importância das receitas saudáveis e sustentáveis, assim como para a proteção ambiental e economia familiar, em harmonia com os Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável.


Parabéns ao Afonso e ao Carlos pelo seu honroso 3º lugar no Escalão B!

Conhece aqui a receita destes chefs!

 



Concurso "Uma Aventura...Literária 2022" - Modalidade: Recomendação de Leitura

 A aluna Raquel Moreira do 8.º C sagrou-se vencedora do 1.º prémio do Concurso "Uma Aventura...Literária 2022", na modalidade de Recomendação de Leitura do livro "Diário Secreto de Camila", de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada.


 “O Diário Secreto de Camila”

O “Diário Secreto de Camila” relata o quotidiano de uma jovem adolescente que inicia a sua escrita confessional quando se apaixona pela primeira vez e à primeira vista.

Ao longo deste livro, vamos conhecendo a vida de Camila, a sua família, os seus amigos e as experiências que ela vivencia, tais como o primeiro beijo, o primeiro cigarro, a primeira negativa, a primeira cirurgia e o primeiro encontro.

O diário cativa os leitores, visto que surge como uma necessidade de Camila, que cresceu física e psicologicamente, organizar um turbilhão de emoções face às variadas descobertas e surpresas que vivencia e pensamentos íntimos que a assaltam. A partir do momento em que vê João e se apaixona, passa a viver ao ritmo dos sentimentos.

Recomendo vivamente a leitura desta obra, pois retrata, de uma forma surpreendente e encantadora, as descobertas e experiências das adolescentes, espevitando a curiosidade, uma vez que há momentos em que nos podemos identificar com a protagonista.                                                                                                                                             Raquel Moreira 8.º C

Concurso "Viajando na Leitura 2022" - 3.º Período - Modalidade: Ilustração


A maior flor do mundo, José Saramago


Bruna Lourenço 6.ºA

Concurso "Viajando na Leitura 2022" - 3.º Período - Modalidade: Resumo / Reconto

A maior flor do mundo, José Saramago


    Era uma vez um menino que decidiu sair de casa para dar um passeio quando viu uma linda borboleta e quis ir atrás dela. Foi andando, andando até entrar numa floresta que tinha muitas árvores e flores.

    Caminhou pela floreta e chegou a um lugar praticamente deserto. Só lá havia uma flor muito murcha. Aproximou-se e ficou com muita pena dela porque estava mesmo a morrer. Mas, naquele lugar, não havia água. Por  isso, o menino procurou um rio para poder dar de beber à flor.

    Foram muitas viagens para cima e para baixo e o menino, de tão cansado que estava, adormeceu pero da planta. Esta, com pena dele, deixou cair uma pétala para cobri-lo.

    Os pais ficaram preocupados porque o menino estava a demorar muito, quando, ao longe, viram uma flor muito grande e, curiosos pelo seu tamanho, decidiram ir até ela. E foi lá que encontraram o filho a dormir.

    Graças ao menino, a flor  murcha transformou-se na maior flor do mundo.

 Mateus Barreto 6.ºA

Concurso "Viajando na Leitura 2022" - 3.º Período - Modalidade: Comentário

A maior flor do mundo, José Saramago


    Hoje eu vou falar de um livro de José Saramago.

    Esta história fala-nos de um menino que um dia saiu de casa e foi até ao rio. Algum tempo depois, chegou ao limite das terras onde tinha ido sozinho. Decidiu ir a direito, viu uma montanha muito grande e resolveu subi-la. Quando chegou ao cimo, encontrou uma flor murcha e quis ajudá-la, mas para ir buscar água tinha de descer a montanha e subi-la novamente até à flor, levando a água nas mãos. O menino foi tantas vezes ao rio que a flor ficou gigante.

    Os pais e os vizinhos ficaram preocupados com o desaparecimento do menino e foram procurá-lo. Encontraram-no coberto com uma pétala.

    Eu gostei deste livro pois ensina-nos que devemos ter esperança e persistência. É um livro criativo porque nenhuma flor cresce muito alto. Eu recomendo o livro porque nos ensina que devemos ajudar os outros mesmo que sejam crianças.

Iara Fernandes 5.ºB

Concurso "Viajando na Leitura 2022" - 2.º Período - Modalidade: Ilustração


O planeta limpo do Filipe Pinto, Filipe Pinto



 Rita Reis 6.ºA

Concurso "Viajando na Leitura 2022" - 2.º Período - Modalidade: Resumo / Reconto

O Estranho Caso do Cão Morto, Mark Haddon

Christopher Boone é um jovem de quinze anos, portador de Asperger (uma forma de autismo), que, um dia, ao passear pelas redondezas da casa onde mora com o pai, encontra Wellington, o cão da vizinha, morto, no meio do jardim.

Este acontecimento é muito perturbador, pelo que decide descobrir quem é o assassino de Wellington, assumindo o papel de detetive. Por sugestão da sua professora de educação especial, Siobhan, ele vai escrevendo num caderno tudo o que o possa ajudar a desvendar este crime e que seja algo que ele goste de ler.

A investigação vai decorrendo, até que, sem acreditar, Christopher descobre que a sua vida, o seu mundo tão organizado e previsível, não existe.

Ele descobre que o criminoso é o seu pai e que, afinal, a sua mãe não morrera como o pai lhe havia dito.

A mãe estava viva, vivia em Londres com o Sr. Shears por quem se tinha apaixonado. Lá, ela trabalhava e de lá escrevia-lhe todas as cartas que o pai tinha escondido.

Face a esta situação, Christopher considera que não pode confiar no pai e decide ir viver com a mãe, aventurando-se numa viagem até Londres para a reencontrar.

De novo junto da progenitora, Christopher passa a viver com ela. Contudo, aos poucos, vai-se reaproximando do pai.

Christopher é um jovem que adora matemática, ciências e do Sherlock Holmes, mas não gosta do amarelo nem do castanho, nem de ser tocado por ninguém. Contudo, aprendeu progressivamente a lidar com os seus medos e com os constrangimentos dos outros e, a partir de uma lógica muito própria, a gerir a sua vida e as suas emoções.

Raquel Moreira, 8.ºC


Concurso "Viajando na Leitura 2022" - 2.º Período - Modalidade: Comentário

O Estranho Caso do Cão Morto, de Mark Haddon

 

A meu ver, o romance “O Estranho Caso do Cão Morto” é cativante, dramático, empolgante e tocante. É um livro que cativa até ao fim, pois quando iniciei a sua leitura não conseguia parar de o ler pelo facto de ser tão interessante.

Adorei esta narrativa, visto que aborda um assunto muito delicado na vida de certas pessoas, o autismo, que é sofrido pelo personagem principal, o Christopher. O autismo é um transtorno no desenvolvimento neurológico, que gera alterações na comunicação, na interação social e no comportamento de uma pessoa. Este livro demonstrou-me o quanto uma pessoa que sofre de autismo pode ser corajosa, determinada e muito inteligente, como Christopher. Penso que pode ser uma grande ajuda para pessoas que sofrem deste transtorno, uma vez que nos encoraja a vencer os nossos medos e obstáculos, tal como Christopher que teve a coragem de viajar para Londres completamente sozinho e enfrentou muitos desses medos durante esse percurso. Eu, pessoalmente, gostei muito do facto de este jovem achar que a sua mãe estava morta, mas, na verdade, encontrava-se viva, pois adiciona um drama esplêndido ao romance e, para mim, esse foi o maior mistério descoberto em toda a narrativa. Para além de achar esta história muito interessante, também adquiri vários conhecimentos matemáticos ao longo de todo o livro e até aprendi sobre espécies que não fazia ideia que existiam nas páginas 105 e 106. Agrada-me a maneira como o romance foi escrito, especialmente os capítulos terem sido numerados de acordo com a paixão de Christopher por números primos, achei muito criativo, e vou atrever-me a dizer que, como o livro foi narrado na primeira pessoa, faz-nos sentir um bocado dentro da mente de uma pessoa autista.

Em suma, esta obra fez com que eu conseguisse entender melhor as pessoas autistas e como funciona a mente delas, permitiu-me também concluir que a mente é muito poderosa e gera uma grande influência sobre nós, pois ela é que nos governa, e o estado mental de uma pessoa é muito importante para a sua vida. 

Francisca Pereira, 8.ºB


Concurso "Viajando na Leitura 2022" - 1.º Período - Modalidade: Ilustração

  

        Contos do Padre Brown, G.K. Chesterton e Professor Otto Lidenbrock


                                                                                                               Ricardo Afonso, 8.º C


Os ciganos, Sophia de Mello Breyner Andresen

                                                                                               Rita Reis, 6.ºA

Concurso "Viajando na Leitura 2022" - 1.º Período - Modalidade: Comentário

 

Contos do Padre Brown

G.K. Chesterton Professor Otto Lidenbrock

        

O Martelo de Deus

Relativamente ao conto “O Martelo de Deus”, adorei a sua leitura, pois tem uma escrita rica e diversificada.

O autor relata os erros cometidos por uma família afetivamente distante, que mais tarde, se arrepende deles. O interessante é que o autor utiliza Deus como a verdadeira entidade à qual a personagem recorre para pedir perdão pelos erros cometidos. Neste conto, concretamente, foi uma das personagens que matou o seu próprio irmão, num momento de raiva. Também aborda um assunto importante e recorrente: quem faz a maldade nem sempre é a pessoa que se pensa, logo “As aparências iludem”.  

Retiro como lição deste conto o seguinte: não devemos cometer maldades mesmo que as pessoas as tenham feito connosco, porque tudo o que fazemos ao outro volta para nós. Precisamos de ter mais consciência de que temos de nos respeitar e amar. É um conto que nos faz refletir sobre um tema presente no mundo de hoje em dia, ou seja, a rivalidade e a ausência de laços afetivos da própria família e também, a partir daí, os erros cometidos devido a este tipo de atitude mais fria e egoísta.

 Para concluir, aconselho vivamente a leitura deste conto, embora para um público mais crescido devido à complexidade da narrativa.  

Matilde Gonçalves 8.ºA


Concurso Uma Aventura...Literária 2021

 Concurso Uma Aventura...Literária 2021 - Menção Honrosa


Texto Original

PARABÉNS
Ricardo Rocha, do 7.ºC!

O Velho Raposão

Lá estava ele a passear com o seu desbotado guarda-chuva. Cauda parda, botas e orelhas negras, focinho arrebitado e branco de bigodes vulpinos. Varria o chão por onde passava com a sua cauda felpuda. Percorria a mata num passo lento e cauteloso, não fosse ele encontrar um coelhinho.

Não tinha propriamente um nome, pois era conhecido como o Velho Raposão. Havia tido bastante sucesso em vida visto que dispunha de várias moradias, mas não passava de um rico burguês que todos temiam, incluindo o rei da floresta.

Enquanto passeava, encontrou-se com um jovem javali, que rebolava na pruma. O desgraçado do porco nem se apercebeu que o ancião o observava. A certa altura, o raposão decidiu falar-lhe:

- Está um bom dia para nos sujarmos! Não é, porquinho?

O javali, surpreso por não ter reparado na presença deste, respondeu-lhe:

- Bom dia, senhor! Sabe, é que estou com uma comichão terrível no meu pescoço desde que fui ao nosso vizinho Espanha…

- Então é isso…- pronunciou-se, interessado.

- Sim, Excelência!

O velho continuou o seu passeio pelo matagal e rapidamente desapareceu na folhagem. Dirigiu-se para a sua toca oficial. Não pensem que era um buraco escuro, imundo e fedorento, pois não era; era sim uma moradia que se preze. Era isolada do resto do reino e tinha lá a mais bela mobília, louça, pintura, comida, tudo entre um chão e teto de madeira.

Sentou-se na sua poltrona escarlate, entre uma janela e a lareira, e pôs-se a contemplar o vazio da sua sala de estar. Porém, cansou-se rapidamente e começou a ler um livro de bolso.

Pela calada da noite, bateram à porta do aprisco. O raposo deparou-se então com Colombo, o corvo encarregado de revelar as “notícias” de última hora.

- Boa tarde, vossemecê. Venho informá-lo de que, por ordem do rei Corso, teremos de permanecer nas nossas residências, porque anda a circular uma espécie de gripe que infeta todo o tipo de seres. Se tiver algum sintoma, escreva ao curandeiro da sua zona territorial. -informou-o a ave com uma certa preocupação.

- Muito bem!

E fechou a porta no bico do corvo.

O raposão assim cumpriu. No entanto, por vezes, olhava para além da janela da sua casa e via pequenos grupos a festejar o aniversário de alguém, ou batizados, ou comunhões, enfim, coisas muito pouco corretas. O que é certo é que o velhote só saía do antro para caçar.

Houve várias vagas da praga, mas nenhuma chegou a atormentar o raposo. Mais tarde, soube-se que não só prejudicava o bicho; também poderia matar. Como a primeira criatura a falecer deste mal foi uma rola, a doença foi chamada de gripe das Aves. Todos receavam que o que acontecera à rola igualmente lhes sucedesse.

Na primavera, uma andorinha resolveu ficar pelo reino de Portugal. Ela contou histórias vividas até chegar a este país, referindo que havia passado por Itália e que a peste tinha começado naquela república, na bela cidade de Veneza.

O velho senhor continuava no luxo da sua moradia, mas outros não tinham a mesma sorte. Devido à epidemia, muitos perderam os seus negócios. As andorinhas não permaneceram no verão. As clareiras e prados, repletos de papoilas, lírios, narcisos, dentes-de-leão, estavam vazios.

- O rei não sabe pôr mão no bicho! – bradavam os republicanos pelas florestas e vales.

O jornal diário do reino falava nas crises com que os boticários lidavam nos seus lares.

O raposão, que agora era raposinho, uma vez que agora era ainda mais velho do que era, já não se levantava do seu leito. Contudo, nada o impedia de se levantar uma vez por dia para se sentar no seu cadeirão encarnado e daí olhar para o alargado horizonte, sendo que a toca era no alto de um monte.

Passou o tempo e o povo já se cansava da praga… No final de quase dois anos, acabaram por desenvolver a dita isenção. Os ratos que vinham da cidade de férias contaram que o bicho-homem não tinha sido afetado pela doença e as corujas e os bufos estudavam essa situação tão intrigante.

Após três semanas sem se ver o velho raposão à janela, um grupo de animais resolveu entrar no aprisco. Desafortunado, o raposão já nem raposão era; era pura e simplesmente um corpo peludo. O pobre coitado batera as botas durante o seu confinamento. Os olhos e caras das criaturas empalideceram. Uns sentiam culpa, tristeza e mágoa; outros uma certa felicidade.

Se calhar, deva agora referir o desejo do canídeo. Embora solitário, maldoso e ladino, o desejo do velho raposão era que, quando morresse, estivesse rodeado de amigos e velhos companheiros. Porém, por causa da doença e da má gerência da praga, morreu solitário e sem o seu sonho se realizar.

                                                                                              Ricardo Rocha - 7ºC

Histórias da Ajudaris 2021

 

Se eu fosse uma criança injustiçada queria:

 

Ter uma vida feliz;

Restituir ao mundo a magia;

Amor de todos receber;

Banir o mal para o bem vencer;

Alertar para os direitos das crianças;

Libertá-las do sofrimento;

Humanizar as atitudes dos Homens;

Orgulhosa ficar quando a maldade acabar.

 

 

Impedir a desigualdade;

Não permitir a exploração infantil;

Fomentar o respeito por cada um;

Acabar com a exclusão social;

Não autorizar o abandono escolar;

Todo o Amor, Carinho e Alegria;

Igualdade, Abrigo e Segurança;

Liberdade e Educação para toda a Criança.

 

Centro Escolar de Barroselas

Turma B4B

Professora Filomena Pires

Histórias da Ajudaris 2021

 Se eu fosse...

Professora, pintora ou inventora

Não sei que decisão tomar...

Tenho que dar uma resposta

E não sei por qual optar.

 

Ainda sou pequenina

Mas já penso em ser bailarina

Disse à minha mãezinha

Para me dar uma ajudinha.

Ela disse para ser jardineira

Para cuidar da floreira.

 

Poderia ser neonatologista

Seria como uma flor a desabrochar

Entre choros e gritos aborrecidos

Entre a emoção dos pais a chorar.

 

Também pensei em ser atriz

Para poder entreter

E os meus filmes cómicos

Poderem ser felizes a ver.

 

Se eu fosse professora

Gostava de ensinar

Pôr os meus alunos a ler e escrever

Para um dia os formar.

 

Cozinheira poderia ser

E novos sabores fazer

Os clientes satisfazer

E um mundo conhecer.

 

Se eu fosse polícia

Ladrões prenderia

E todos ajudaria

Aplicaria coimas às infrações

Acabaria com os aldrabões.

 

E se fosse veterinária?

Animais iria ajudar

Para alguém os amar.

Também poderia ser cabeleireira

Cortar, pintar e pentear

Todas as pessoas arranjar

E assim as alegrar

 

Se eu fosse piloto

Levaria pessoas a viajar

Para conhecer novos países

E fazê-las sonhar.

 

E se eu fosse bombeira

Salvaria muitas pessoas

Ali ao longe e à minha beira.

 

Se eu fosse palhaço

Colocaria todos a rir

Faria malabarismos

E deixar-me-ia cair.

 

Já sei, vou ser médica...

Para segurar na mão de um velhinho

E dizer-lhe bem baixinho

Que tudo ficará bem,

mesmo que demore um bocadinho.

 

Vou ser médica

Farei de tudo para encontrar uma solução

Quer seja um adulto, um velhinho ou um menino

Sem nunca perder a paciência, a fé e a esperança.

 

Vou ser médica

E a febre irei medir

O coração de toda a gente ouvir

E dar um remédio para fazê-los sorrir.

 

Vou ser médica

E a cura para o Covid encontrar,

Deixar as pessoas mais felizes

E tornar o mundo melhor para habitar!

 

B2B - Centro Escolar de Barroselas

Professora Liliana Arezes

 

Histórias da Ajudaris 2021

 

Se eu fosse…

 

Certo dia, estava eu na casa dos meus avós, sem nada para fazer, pois eles estavam na conversa com o meu tio que tinha acabado de chegar de Espanha. Então, lembrei-me de ir andar no baloiço do jardim. Quando lá cheguei, comecei a pensar em muitas coisas… Aquele ambiente trazia bastante tranquilidade, até que vi uma formiga e pensei:

- E se eu fosse uma formi...nah.

Deitei-me na relva e comecei a pensar o que eu gostaria de ser.

- E se fosse uma carta? Iria viajar por todo o mundo, mas seria muito cansativo, por isso, não.

- E se fosse uma ave? Voaria todo o dia, por cima de campos e cidades, mas iria ficar exausta, por isso, não.

- Se fosse uma abelha? Voaria de flor em flor, mas poderia picar alguém sem querer e ficaria triste, então, não.

Pensei...pensei...e do nada, lembrei-me de uma medalha. SIM! Essa medalha que estás a pensar! Aquela medalha que fica no pescoço dos mais variados vencedores, aquela que se recebe com mérito, aquela que deixa um sorriso a quem a recebe...imagina estar no pescoço da Patrícia Mamona ou no peito de uma criança pequenina que levou uma vacina ou até pertencer a uma criança que participou no The Voice Kids e ficou na equipa do Carlão, ahahah!!! Se eu fosse uma medalha...gostaria de ser de ouro e estar no meio de outras iguais a mim na prateleira do Jorge Fonseca, ter sempre amigas para falar comigo e quando alguém o fosse visitar, iria olhar para a prateleira e ficaria impressionado com o nosso brilho.

- Ai que sonho!

De repente, a minha avó chamou-me... o meu tio já ia embora, por isso, fui despedir-me dele, e depois fui dar uma caminhada com os meus avós para aproveitar o dia de sol.

 

6.ºC

Professora Alice Ribeiro

Histórias da Ajudaris 2021


Se eu fosse um pássaro

Se eu fosse um pássaro, seria colorido, com plumagem azul e preta, um bico longo para apanhar peixes nos rios e nos mares e seria um apaixonado por viagens.

Voaria pelo mundo até as minhas asas se cansarem, exploraria terras, vilas e cidades. Viajaria pela Europa e iria da Ásia até às Américas, passando por África, Oceania… enfim, seria um pássaro curioso que gostaria de viajar e conhecer o mundo. Sobrevoando as florestas mais extensas e as mais pequenas, as cidades mais habitadas e as aldeias mais isoladas, tomaria contacto com as mais variadas culturas dos diferentes países dos vários continentes. E, quando a minha jornada terminasse, estaria cansado, mas ao mesmo tempo muito feliz por concretizar um sonho meu e de muitas pessoas – conhecer o mundo. Por outro lado, sentir-me-ia bastante triste e preocupado com tudo o que está a acontecer no Planeta. Tomaria maior consciência de que estamos a viver uma era em que ocorrem grandes alterações climáticas, por ficar encharcado nas várias chuvadas por que passaria, com as minhas penas coladas de petróleo nos mergulhos nos oceanos e muitas vezes com as patas presas nos plásticos e nas redes que inundam esses mares. Nesses momentos de aflição em que me debateria com o plástico abandonado pelos humanos, aperceber-me-ia de que o mundo está cada vez mais poluído e de que é urgente parar para que a Mãe Natureza não sofra mais.

Assim, ao longo desta maravilhosa viagem ficaria, muitas vezes, receoso pela minha vida e pelo futuro do Planeta, porém esperançoso que os seres humanos tomem consciência a tempo da gravidade da situação e usem a sua inteligência para salvar o Planeta Terra, que é de todos.

 

6.ºA

Professora Alice Ribeiro

 

 

Concurso "Escrever é viver- textos juvenis em tempo de pandemia"



PARABÉNS
, Margarida Cruz, pela Menção Honrosa!
Aluna do 9.ºC da EBS de Barroselas.

Asfixia do Pensamento – Um grito de liberdade

 

Nunca me apercebi ao certo o quão ruim a situação estava até ele morrer.

Morrer. Uma palavra tão forte, com um significado tão leve, uma pequena transição para o vazio, para o lugar nenhum e para o todo. Uma palavra que te obriga refletir só de pensar nela, que te faz temer só de a imaginar, e que te permite libertar quando te deparas com ela.

Era o meu pai. Era meu amigo e meu confidente. Meu suporte e meu tudo.

Nunca imaginei que seria desta forma, tão abrupta e asfixiante. Uma ironia da minha escrita, visto que foi dessa exata forma que ele faleceu, ou pelo menos é o que dizem os médicos, os doutores da sabedoria e da informação, os heróis desta nação. Poupem-me! Estou farta. Cansada de esperar alguém bater-nos à porta, com uma solução milagrosa de uma vida melhor. Desiludida com o mundo, com o povo incapacitado de lidar com isto e com os que governam. Cada decisão mais desastrosa que a outra! Salvando cada vez mais indivíduos, curando-os, em contrapartida condenam os outros, o resto que morreu e ainda morre, dolorosa e lentamente, num leito dos Cuidados Intensivos, até seu último suspiro se fazer presente, ou melhor, ausente.

Eu, sinceramente, acho que já cheguei nesse ponto, na morte espiritual digo.

Na vontade desmerecida de tentar e falhar.

Cheguei ao fundo do poço.

Já que nem com a escola me preocupo. Até mesmo no momento em que uma ágil e silenciosa mão se infiltrou pelo bolso do meu casaco, nem aí eu me importei, o corpo do ladrão colidindo contra o meu, e os míseros cinco euros que eu tinha para lanchar se esvaíram. Como a vida dele, naquele hospital, naquela maca, as respirações entrecortadas, dando às máquinas um pouco de descanso antes de cumprirem a sua função com outro paciente, até este morrer ou milagrosamente levantar-se e sair de cabeça erguida pelas portas do hospital indo em direção ao sol radiante que o espera como uma segunda oportunidade, coisa que meu pai nunca mais terá a possibilidade de fazer.

Eu tento me lembrar que ele está morto, sem vida, com os órgãos paralisados num movimento que jamais conseguirão executar. Mas mesmo que passe todo o infeliz segundo a advertir-me, nunca é o suficiente, ele está lá comigo, a toda a hora, a todo o momento.

Uma vez ouvi dizer: “As pessoas que nos amam nunca nos deixam e poderás sempre encontrá-las aqui, no coração.” finalmente descobri o verdadeiro significado dessa citação. Ele estará sempre comigo, vendo-me tentar tornar o que sempre quis ser, o meu e seu próprio orgulho.

Pai, eu sentirei a tua falta, juntamente com a minha já escassa liberdade.

 

Margarida Cruz

9ºC nº12

Escola Básica e Secundária de Barroselas

Concurso "Escrever é viver- textos juvenis em tempo de pandemia"

 Concurso "Escrever é viver"

Como tudo aconteceu

Tudo mudou repentinamente. Começámos a ver cada vez mais notícias acerca do novo vírus e a ficarmos cada vez mais assustados… Novo vírus ou um que tinha voltado a atacar? De algo tenho a certeza: voltou com toda a força.

Olá! Eu sou a Maria João, vivo em Barroselas, pequena vila do concelho de Viana do Castelo, sou uma aluna do 9º ano e a minha vida deu uma volta de 180 graus desde o último ano. Toda a gente sofreu com esta pandemia mundial. Pessoas que tinham ainda a vida a meio faleceram, casos aumentam todos os dias, a proibição da nossa vida continuar normalmente… tudo nos foi arrancado e causou um impacto e uma dor mais forte do que uma faca a ser arrancada do peito. Posso parecer exagerada, porém, é isso mesmo que quero ser! Esta pandemia é um assunto muito mais delicado e frágil do que parece.

Muitas pessoas minhas conhecidas disseram-me:

«Sabes Maria… toda a gente diz mal do Covid, mas, a verdade é que com a quarentena aprendi muitas coisas novas!»

A minha reação a isto foi: «Boa, mas, não as poderias ter aprendido sem o Mundo estar a sofrer uma pandemia mortal?»

ATENÇÃO: não estou a julgar as opiniões de ninguém porque eu mesma posso contar a minha «versão da história» de março de 2020.

*ligo a televisão*

«Jornal afirma que 1º contágio da covid-19 na China foi em novembro.»

Eu: Ui! Outro vírus… que bom.

Pai: Tinha de vir da China.

Mãe: Tu não comeces também.

Eu: Vou mudar de canal, pode ser?

Pai: Shiiu! Quero ouvir.

--------------------------------------Passado algum tempo----------------------------------------------

«Escolas irão fechar por apenas duas semanas devido ao número elevado de contágios do novo Covid-19.»

Eu: Olha que bom! Duas semanas para eu dormir mais! Afinal este covid ainda vai ser nosso amigo!

«Alunos irão começar a ter aulas online devido ao covid-19.»

Mãe: Eu já sabia que isto ia acabar por acontecer…

Eu: Sabias? Olha, eu já não estou a gostar muito disto. Não deve ser por muito tempo, também.

Pai: Não te fies nessa, Maria.

Pois é! Acabámos o 3º período com aulas online. Já não estava muito bem mentalmente em relação a isto. A minha família começava a ser infetada e a minha preocupação só aumentava.

2021 chegou! «2021 VAI SER UM ANO MELHOR»- ouvia eu repetidamente. Já não existiam grandes expectativas da minha parte. Tudo parecia vago e a minha vida estava cada vez mais escura e longe de encontrar um raio de luz.

Voltaram as aulas presenciais, no entanto, pouco tempo depois de 2021 ter começado, outra notícia chocou todos. Alunos vão para casa de novo durante uma semana! Ao ver aquilo pensei: «quem é que eles querem enganar com uma semana? Oh meu Deus.» Eu estava certíssima! Ficámos um mês em casa a ter aulas online e neste momento estamos na escola de novo… será que vai ser definitivo? Ninguém sabe.

Mas com isto, eu só queria mostrar os meus sentimentos ao longo da pandemia. Mudou bastante, certo?

Para que fique bem claro, eu não me tornei numa pessoa infeliz! Felizmente, ainda tenho as pessoas que mais amo ao meu lado e espero que elas não me deixem agora. De algo eu tenho a certeza: a pandemia fez-me repensar em muitos acontecimentos e possíveis cenários futuros… pensei, pensava e penso. Neste momento, eu só quero que as pessoas que me rodeiam estejam bem e que possam fazer as suas atividades e o que gostam sem guardas a mandarem-nas colocar a máscara ou afastar-se mais um pouco dos seus amigos. Eu também mudei muito com tudo isto. Sou agora uma pessoa muito mais madura e consciente, no entanto, acho que estou a crescer rápido demais, mas é o que tem de ser!

Eu também tenho medo e sinto-me mal por estar a perder a parte da minha vida que era suposto ser «o highlight de tudo». Estes anos que estou a passar fechada eram para ser os melhores? Bom, acho que não estão a ser, mas vou tentar vivê-los mais tarde e aproveitar ao máximo o facto de ainda estar viva.

No final, posso sempre dizer aos meus netos que sou uma sobrevivente do Covid-19 e espero seriamente que eles fiquem admirados e orgulhosos de mim porque isto não está a ser muito fácil.

 

Maria Felgueiras  9.ºD