(Crónica da autoria da docente de Português - Rosa Cruz.)
Na escola, as Árvores trajaram de Poesia
Por
estes dias, a POESIA anda na boca de toda a gente. Pudera! É um clássico esta
efeméride. E a variedade de escolha imensa: versos mais ou menos plangentes,
travessos, alegres, ardentes, populares, inéditos, ou cheios de simbolismo e
erudição.
Foi
assim que alunos de todos os ciclos vestiram as árvores da Poesia na Escola e
foi também este o mote para a turma 10 A dar corpo à sua participação quer no
recital para professores em 21.03, quer no “combate” de palavras poéticas
agendado com a Associação de Reformados e Pensionistas de Barroselas (ARPB), em
22.03. Em boa verdade, deveria ter acontecido ao ar livre, em plena celebração
da natureza que desabrocha vívida e perfumada, porém as condições
meteorológicas não favoreceram o ensejo e lá se foi a caminhada e as palavras à
solta, em S. Sebastião.
No
salão de trabalho e ócio da ARPB é que tudo acabou por se passar: continuou a
saga dos lenços dos namorados e ninguém “renegou desse lavrar” – Gil Vicente
não iria longe se viesse inspirar-se aqui! – tanto que as mãos que manusearam a
agulha foram sobretudo masculinas. Um mimo!
No
já quase instituído cerimonial das 4 e ¼, antes dos suspiros e do bolo-rei, que
fora de época tem um sabor especial, houve poesia: embandeiraram em arco, uns a
seguir aos outros, dez alunos para declamarem Torga, Camões, Florbela Espanca,
F. Pessoa, Olavo Bilac, Sophia de Mello Breyner… A senha de partida foi dada
pela palavra do poeta inglês John Keats: “ Se
a poesia não surgir tão naturalmente como as folhas de uma árvore, é melhor que
não surja mesmo”. E aí estava a síntese: a celebração do dia da Árvore e do
dia da Poesia.
Defronte,
o público sénior reagiu com galhardia, como sempre, e apresentaram em troca as
suas rimas, também alusivas à árvore nas suas variadas aceções metafóricas –
umas da sua própria lavra, outros de autores conhecidos, fruto de pesquisa e
preparação antecipada.
Este
momento mais intimista do encontro foi breve, mas significativo. Relegou o
vento, a chuva e frio lá de fora para segundo plano e acendeu lá dentro o
alento caloroso da celebração, em “verso humilde” da natureza e da palavra. Em
último caso, do respeito e estima que se vão cimentando recíproca e
gradualmente, em intercâmbios de saberes e de sabores, de dizeres e de fazeres,
de lavores [e de amores].
Têm
sido assim os contornos do Projeto Ler+
Jovem, que a turma tem apreciado e prestigiado, num equilíbrio às vezes
difícil de encontrar entre os deveres académicos e os projetos de
enriquecimento curricular. A classe sénior, mais disponível e sempre
incansável, não deixa os créditos por mãos alheias no que respeita a solicitude
e estímulo, deixando, a espaços, transparecer alguma urgência em ver os
resultados finais dos trabalhos manuais em curso. Embora entusiastas e
decididos a cumprir os objetivos, os jovens parecem ter algum pejo no
acompanhamento do ritmo e da genica desafiante dos seniores. A classe sénior
tem conquistado pontos em estímulo e dinamismo; a classe júnior ganha em
modéstia e constância! Na troca de afetos, empate técnico. Veremos como
terminará o campeonato.
Uma
coisa é certa: não haverá nunca lugar a amargura nem queixumes, porque há
sempre doçura a coroar estes encontros. A sessão de hoje terminou com suspiros
(não confundir com queixumes…) e bolo-rei! Cantaram-se os “parabéns a você” à
Diretora da Escola e confeiteira da doce iguaria, pelo seu aniversário, que,
desta forma, apesar de ausente, esteve também presente. Ui!, pelo lamber dos
dedos, o que houve foram suspiros por mais … suspiros. Estavam deliciosos!
Professora
Rosa Cruz | 22.03.2017